Em 10 mesas virtuais de discussão, Mostra reúne 32…

Mesas redondas foram realizadas entre 27 e 30 de julho e estão disponíveis na íntegra no site

As mesas virtuais da Mostra Interterritorial Científica e Tecnológica da Bahia: tecnologia, inovação e vivências no rural reuniram representantes de 32 instituições, num rico debate sobre sustentabilidade, bioeconomia, agroecologia e segurança alimentar, em transmissões ao vivo, de 27 a 30 de julho. O evento faz parte da 16ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT 2019), cujo tema é “Bioeconomia – Diversidade e Riqueza para o Desenvolvimento Sustentável”, e encerra nesta sexta-feira, 31, com o  “Seminário de fitoterápicos: Valorização dos Saberes e Fazeres Terapêuticos Quilombolas”

Até agora, foram 10 mesas virtuais, além da abertura, 40 debatedores, 10 mediadores, 317 inscritos e cerca de sete mil visualizações. O tempo de transmissão já supera 12 horas. Quem não pôde acompanhar a mesa ao vivo, tem acesso livre e a qualquer tempo do conteúdo da Mostra no canal do Instituto Anísio Teixeira, no YouTube, e no site da Mostra (http://mostrainterterritorial.unilab.edu.br/). A exibição de 46 vídeo-pôsteres e 66 fotografias de turismo de base comunitária completam o balanço positivo da Mostra. 

“É um evento que abrange movimentos sociais, que traz a gestão pública para diálogo, que insere questões acadêmicas para o público em geral e considera que diversos conhecimentos são feitos sobre os rurais na Bahia”, falou Carla Craice, professora da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Brasileira (Unilab) e integrante da coordenação do evento, durante mesa de abertura. 

A Mostra buscou aliar saberes populares e técnico-científico. Na abertura institucional, em 27 de julho, o público foi recepcionado por José Tosato, coordenador executivo de Pesquisa, Inovação e Extensão Tecnológica da Secretaria de Desenvolvimento Rural da Bahia (Cepex/SDR), que mediou a mesa. Ele agradeceu os realizadores da Mostra, em especial à Rede de Pesquisa, Ensino e Extensão em Agricultura Familiar e Desenvolvimento Rural Sustentável. Uma iniciativa “criada a partir do entendimento de que era necessário aproximar a agricultura familiar e povos de comunidades tradicionais de uma maneira mais sistematizada, com as instituições de ensino, pesquisa e extensão, no que tange o desenvolvimento rural”, afirmou.

O secretário de educação da Bahia, Jerônimo Rodrigues Souza, também marcou presença na abertura, e saudou o público e os membros da mesa. Engenheiro agrônomo, ele acredita que a Mostra materializa a importância da universidade pública, do poder da Ciência em prol do desenvolvimento rural e da valorização dos povos tradicionais. “Nossa balbúrdia é do bem”, assegurou. Como exemplo, citou alguns dos trabalhos a serem exibidos durante a Mostra, que englobam desde projeto de reciclagem à hidroponia, horta escolar e tintas ecológicas, variabilidade temática que tem em seu centro a promoção da sustentabilidade. Ele lembrou a tristeza da pandemia e do elevado número de mortos – quase cem mil -, e emitiu uma mensagem de esperança: “Que nessa agenda que estamos aqui compartilhando hoje, (achemos) uma energia para nos acalentar, para tocar a vida fortalecendo a agricultura familiar, as mulheres no campo, a juventude e o conhecimento popular”. 

Ananias Viana, coordenador-executivo do Centro de Educação e Cultura do Vale do Iguape (Cecvi), membro da comunidade quilombola Kaonge, nome de origem banto que significa distante. “Foi o nome que nossos ancestrais acharam, pois eles fugiam para ficar justamente longe, distante do poder do senhor de engenho”, explicou. Ele, que participa também do Conselho Quilombola da Bacia do Vale do Iguape, que agrega 18 comunidades quilombolas em Cachoeira, falou sobre a importância da troca de conhecimento, da “roda de prosa”. “Não precisa de espaço físico para fazer roda de prosa, pode ser embaixo do pé de árvore, nas margens dos rios, dos manguezais, todo lugar é espaço físico de troca de conhecimento, experiência e de tecnologia, isso é um princípio da solidariedade, da organização coletiva, que vai na linha da economia solidária”, observou. 

O secretário estadual de Desenvolvimento Rural (SDR), Josias Gomes, fez a última fala da mesa institucional. Em sua visão, a Mostra permite avançar em questões importantes referentes ao desenvolvimento rural na Bahia, por meio da colaboração entre entidades e troca de saberes, uma aproximação que beneficia a agricultura familiar. Com votos pelo sucesso do evento, ele acredita que, ao final do encontro, seja construída “uma síntese vitoriosa das ações da área de ciência e tecnologia, e que elas possam ser utilizadas pelos nossos companheiros extensionistas e que possam chegar ao seu destinatário final, que são os agricultores familiares”.

Completaram a mesa de abertura: o reitor pro tempore da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), Roque Albuquerque; o reitor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Fábio Josué; do Instituto Federal Baiano (IFBaiano), Aécio José Duarte; a secretária estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia (Secti), Adélia Pinheiro; e a vice-coordenadora do Grupo de Pesquisa e Extensão Nyemba – Processos Sociais, Memórias e Narrativas Brasil/África – da Unilab, Mariana Petroni.

A Mostra é uma iniciativa da Rede de Pesquisa, Ensino e Extensão em Agricultura Familiar e Desenvolvimento Rural Sustentável, e teve como instituição proponente a Unilab, através do grupo de pesquisa Nyemba – Processos Sociais, Memórias e Narrativas Brasil/África. Integram a organização, a Secretaria de Desenvolvimento Rural, por meio da Coordenação Executiva de Pesquisa, Inovação e Extensão Tecnológica (CEPEX); Secretaria de Educação; e Secretaria de Ciência; Tecnologia e Inovação da Bahia. O evento integra a SNCT 2019, promovida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) e pelo Ministério de Ciência e Tecnologia, Inovações e Comunicações. 

Conta ainda com a parceria da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), do Instituto Federal Baiano (IFBaiano), Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), Coordenação Executiva de Pesquisa, Inovação e Extensão Tecnológica (CEPEX), Superintendência Baiana de Assistência Técnica e Extensão Rural (Bahiater),  e o Centro de Cultura do Vale do Iguape (CECVI).

Confira a íntegra das mesas