Seminário de fitoterápicos encerra Mostra Interterritorial nesta sexta, 31

Todo o conteúdo do evento continuará disponível online

O “Seminário de fitoterápicos: Valorização dos Saberes e Fazeres Terapêuticos Quilombolas” encerrou a Mostra Interterritorial Científica e Tecnológica da Bahia nesta sexta-feira, 31 de julho. Exibido em tempo real, o seminário, assim como toda programação da Mostra, encontra-se disponível para acesso a qualquer tempo no canal do YouTube do Instituto Anísio Teixeira e no site do evento: http://mostrainterterritorial.unilab.edu.br/ 

Durante todo o seminário, a valorização do saber popular e a conexão com o conhecimento técnico-científico conduziram as falas dos palestrantes. “O saber é para todos, tem que ser para todos”, concluiu Helcia Alves, da Coordenação Executiva de Pesquisa, Inovação e Extensão Tecnológica (Cepex) da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR).

Ela, que é uma das mediadoras do seminário de fitoterápicos e integrou a coordenação do evento, falou sobre a Mostra Interterritorial como um importante espaço que promoveu a interação entre academia científica e comunidades quilombolas, interligando os saberes de ambas: “desenvolvendo um diálogo com a comunidade quilombola mostrando na prática seu conhecimento”.  Em sua visão, conhecimento cultural e tradição devem ser valorizadas e são por si só conhecimento científico. 

O mesmo pensamento foi compartilhado por Carla Craice, coordenadora da Mostra e integrante do grupo de pesquisa Nyemba (Processos Sociais, Memórias e Narrativas Brasil/África) da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), que também mediou os debates do seminário. Para ela, “o evento tem como objetivo a socialização dos saberes científicos, compreendidos de uma forma ampla, pensando que a ciência é feita em diferentes esferas, não só na universidade, mas também nas comunidades”.

“Não existe saber melhor, pior, maior, todos os saberes são válidos e nós pudemos colocar isso em prova aqui”, disse Leonardo Farias da Cepex/SDR, em consonância com suas colegas da coordenação de realização do evento, Alves e Craice.

O livro “Fazeres e saberes terapêuticos quilombolas” – que inspirou o seminário, e está disponível gratuitamente no site da Mostra – foi apresentado por quatro dos cinco organizadores da obra: Fátima Tavares (UFBA), Carlos Caruso (UFBA), Francesca Bassi (UFRB) e Thais Penaforte (UFBA).

Sobre o trabalho de pesquisa no ramo da Antropologia, Carlos Caroso, professor titular da UFBA, explica que o interesse não se dá no campo da testagem em laboratório, por exemplo, mas na compreensão na maneira como as pessoas reagem aos tratamentos com fitoterápicos. Para a pesquisa em Antropologia, importa entender como as pessoas convivem com seu ambiente e como reutilizam os recursos desse ambiente a seu favor, “e porque permanecem, persistem utilizando”. “Uma planta que aqui é considerada remédio, conheço no Ceará como uma planta que ninguém toca”, exemplifica. 

Ananias Viana, do Centro de Educação e Cultura do Vale do Iguape e membro da comunidade quilombola Kaonge, em Cachoeira, abriu o seminário. Em sua visão, é preciso ir “ao passado para atualizar o presente”. “Então, vamos aprender na fonte dos nossos ancestrais no sentido de atualizar”. Ele acredita que a existência do livro apresentado no seminário reforça a necessidade de preservação do conhecimento popular e também é “prova que a gente preserva o que a gente tem”. Para ele, a preservação é a própria essência de sobrevivência da comunidade. “O nosso ambiente é interligado com as pessoas da comunidade, com as árvores, com os animais, é um viveiro aberto”, enfatizou. 

Ao final do seminário, os organizadores do evento se reuniram para um rápido balanço do evento. Em comum, a alegria do trabalho bem feito, com a colaboração de 23 diferentes instituições, da comunidade acadêmica, rural e quilombola. Uma reunião virtual que continuará a difundir conhecimento mesmo após o fim do evento.  

“Esse evento atingiu todos os nossos objetivos”, disse José Tosato, coordenador executivo da Cepex/SDR, destacando que o material exibido, quase 20 horas, será fundamental em futuras trocas de conhecimento.

Carla Craice, da Unilab, também falou sobre resultados futuros da Mostra Interterritorial. “Esse é um evento que a transmissão termina por aqui, mas os vídeos irão ficar para a posteridade e teremos também um material publicado”, prometeu. O objetivo é elaborar um material impresso para ser distribuído em escolas de nível médio e técnico. 

Programação seminário

O seminário reuniu um dia inteiro de atividades. Além da mesa que falou do livro “Fazeres e saberes terapêuticos quilombolas”, a programação contou com a palestra de Jorge Silveira, engenheiro agrônomo e extensionista rural da Superintendência Baiana de Assistência Técnica e Extensão Rural (Bahiater), do governo da Bahia, sobre a importância do uso de fitoterápicos com demonstrações de espécies e variedades fitoterápicas.

Também teve a farmacêutica Mayara de Queiroz da Secretaria Estadual de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), que abordou comprovações do uso de fitoterápicos na saúde humana e plantas medicinais cultivadas no Recôncavo. 

A valorização dos saberes e fazeres terapêuticos foi apresentado pela professora Elen Sonia Rosa, do Instituto Federal Baiano (IFBaiano). Agrônoma e doutora em Fitotecnia, ela pesquisa plantas medicinais, aromáticas e condimentares, agroecologia, olericultura, agricultura familiar, homeopatia na agricultura e pecuária, educação ambiental e meio ambiente

Rodas de conversas na comunidade quilombola Kaonge, no município de Cachoeira e na comunidade quilombola Monte Recôncavo, município de São Francisco do Conde, também integraram a atividade. 

Mostra Interterritorial Científica e Tecnológica da Bahia: tecnologia, inovação e vivências no rural foi realizada integralmente on-line, de 27 a 31 de julho. O evento fez parte da 16ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT 2019), com o tema “Bioeconomia – Diversidade e Riqueza para o Desenvolvimento Sustentável”.

Realizadores

A Mostra é uma iniciativa da Rede de Pesquisa, Ensino e Extensão em Agricultura Familiar e Desenvolvimento Rural Sustentável, e teve como instituição proponente a Unilab, através do grupo de pesquisa Nyemba – Processos Sociais, Memórias e Narrativas Brasil/África. Integram a organização, a Secretaria de Desenvolvimento Rural, por meio da Coordenação Executiva de Pesquisa, Inovação e Extensão Tecnológica (CEPEX); Secretaria de Educação; e Secretaria de Ciência; Tecnologia e Inovação da Bahia. O evento integra a SNCT 2019, promovida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) e pelo Ministério de Ciência e Tecnologia, Inovações e Comunicações. 

Conta ainda com a parceria da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), do Instituto Federal Baiano (IFBaiano), Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), Coordenação Executiva de Pesquisa, Inovação e Extensão Tecnológica (CEPEX), Superintendência Baiana de Assistência Técnica e Extensão Rural (Bahiater),  e o Centro de Cultura do Vale do Iguape (CECVI).